Notificação entregue à ANRESF questiona negociação de R$ 2 bilhões envolvendo empresário ligado à presidente do Palmeiras
A venda do futebol vascaíno tomou rumos judiciais no meio esportivo. Uma notificação formal foi encaminhada pelo Clube de Regatas do Flamengo à Agência Nacional de Regulação e Sustentabilidade do Futebol (ANRESF), órgão regulador vinculado à Confederação Brasileira de Futebol (CBF), no bairro da Barra da Tijuca, no município do Rio de Janeiro, no estado do Rio de Janeiro. O documento questiona a operação de compra da SAF do Vasco pelo empresário Marcos Faria Lamacchia, enteado da presidente do Palmeiras, Leila Pereira. A negociação, estimada em R$ 2 bilhões para a aquisição de 90% das ações da Sociedade Anônima do Futebol cruz-maltina, foi apontada pelo clube rival como um potencial conflito de interesses que pode comprometer a isonomia das competições nacionais.
Alegações de conflito de interesses e fundamentação jurídica
O questionamento foi assinado e protocolado pela diretoria rubro-negra sob o comando do presidente Luiz Eduardo Baptista. No teor do documento, foi alegada a incompatibilidade da transação com os regulamentos de integridade esportiva estabelecidos pela FIFA e pela própria CBF. Segundo a argumentação apresentada pelo Flamengo, a proximidade familiar entre o comprador e a mandatária do clube paulista violaria princípios fundamentais de governança, uma vez que laços diretos de parentesco entre controladores de equipes da mesma divisão do futebol brasileiro são vedados pelas normas de regulamentação desportiva.
Defesa das partes e independência financeira
Em resposta às acusações formuladas no processo administrativo, a independência financeira e patrimonial do investidor foi sustentada publicamente por Leila Pereira e pelos representantes legais da gestora Blue Star. Foi declarado pelas partes envolvidas que o empresário Marcos Lamacchia possui estrutura empresarial própria e patrimônio desvinculado dos negócios de seu pai, José Roberto Lamacchia, e da presidente palmeirense. O cumprimento de todas as exigências legais para a aquisição do controle acionário do departamento de futebol vascaíno foi reiterado pela diretoria do Vasco da Gama, que manteve o andamento do processo de transição corporativa em São Januário.