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Mascote do Flamengo: A Trajetória de Superação Rubro-Negra

De Insulto Torpe a Símbolo de Orgulho Popular: Conheça a História do Urubu no Futebol Carioca

O surgimento do mascote do Flamengo está intrinsecamente ligado à transformação de um preconceito social em uma das maiores marcas de identidade do futebol mundial. A história dessa transição teve seu ápice no dia 1º de junho de 1969, no Estádio Jornalista Mário Filho (Maracanã), localizado no bairro do Maracanã, na Zona Norte do município do Rio de Janeiro, no Estado do Rio de Janeiro. O episódio emblemático ocorreu durante o clássico entre Clube de Regatas do Flamengo e Botafogo de Futebol e Regatas, válido pelo Campeonato Carioca de Futebol.

Nas décadas de 1950 e 1960, a torcida do Flamengo era alvo constante de insultos por parte das torcidas rivais do Rio de Janeiro. O termo "urubu" era proferido de forma pejorativa, impregnado de racismo e estigma social contra a massa torcedora predominantemente negra e de classes populares. Antes dessa associação, o primeiro símbolo adotado pela agremiação havia sido o Popeye, marinheiro dos quadrinhos escolhido na década de 1940 devido à forte tradição náutica do clube na Praia do Flamengo, no bairro do Flamengo, na Zona Sul carioca.

A virada histórica foi planejada por quatro jovens torcedores rubro-negros: Luiz Octávio Vaz, Romilson Meirelles, Victor Ellery e Erick Soledade. Uma ave de rapina foi capturada no bairro do Caju, na Zona Portuária do Rio de Janeiro, e levada secretamente ao estádio envolvida por uma bandeira do clube. Uma flâmula rubro-negra foi presa às patas do animal antes de sua soltura na arquibancada.

O voo da ave sobre o gramado do Maracanã antes do apito inicial causou comoção imediata entre os quase 150 mil espectadores presentes. Em vez do repúdio esperado pelos adversários, o animal foi ovacionado aos gritos de "É Urubu!". Naquela mesma tarde, a equipe do Flamengo venceu o rival Botafogo pelo placar de 2 a 1, encerrando um incômodo tabu de jejum de vitórias que durava anos. O resultado esportivo selou a adoção definitiva do animal como o novo mascote do Flamengo.


A consolidação do mascote do Flamengo na cultura de massa foi impulsionada pelo cartunista Henrique de Souza Filho (Henfil) nas páginas do tradicional Jornal dos Sports, editado na Rua Lavradio, no bairro da Lapa, na Região Central do Rio de Janeiro. A figura do urubu malandro e combativo passou a ilustrar as tirinhas diárias de maior circulação do Estado do Rio de Janeiro. Posteriormente, o desenhista Ziraldo Alves Pinto concebeu a versão infantil do personagem, expandindo sua apelação junto às crianças e aos colecionadores de álbuns da época.

O impacto cultural dessa ressignificação transcendeu as fronteiras dos gramados e estabeleceu um marco na sociologia do esporte brasileiro. A assimilação do termo pejorativo desarmou a carga discriminatória dos rivais e converteu a provocação em motivo de afirmação popular. Em 25 de maio de 2008, a diretoria do Clube de Regatas do Flamengo oficializou a dupla de personagens Uruba e Urubinha como representantes institucionais da marca, utilizados até os dias de hoje no Estádio do Maracanã e na sede social da Gávea, localizada na Avenida Borges de Medeiros, no bairro da Gávea, no Rio de Janeiro.

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